quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Meus votos de feliz ano novo

I’m feeling sexy and free
Like glitters raining on me*
É como se tudo aquilo nem fizesse parte do meu passado. Todo aquele sofrimento por ter crescido em uma família completamente desestruturada já não tem mais nada a ver comigo. E eu não preciso de bebida alcoólica, amor ou outras drogas pra me sentir bem: meus amigos me bastam.
You like a shot of pure gold
I think I’m ‘bout to explode
E em 2011, especialmente, os novos amigos foram as peças mais importantes de tudo. Foi com eles que eu vivi os melhores e os piores momentos do ano passado. Se bem que, não consigo me lembrar de nenhum momento ruim, apesar de ter certeza que eles estão perdidos em algum canto da minha péssima memória. Mas se eu não lembro, não deve ter sido nada tão importante assim.
I can taste the tension like a cloud of smoke in the air
Now I'm breathing like I'm running
Cause you're taking me there
O que eu lembro é que em momento nenhum eu tive medo do que alguém iria pensar se eu dissesse que sou gay. Na verdade, eu me sentia tão livre que, antes mesmo de deixar que qualquer relacionamento começasse, eu fazia questão de anunciar quem eu era. E fez muito bem pra mim ouvir as diferentes reações que a minha declaração provocava. Era engraçado ver algumas pessoas surpresas; e era engraçado também ver o desconforto estampado na cara de alguns.
Don't you know
You spin me out of control
E, preciso confessar, eu estive livre demais em alguns momentos. Já ouviu aquela história do passarinho que viveu a vida inteira numa gaiola, daí, quando se libertou, viu a fiação elétrica, achou que era poleiro e morreu eletrocutado? Então, eu também nunca ouvi, mas foi a melhor metáfora que eu consegui fazer. E sim, eu sou o passarinho da história, e só não morri eletrocutado porque tive amigos de verdade pra me apoiar.
We can do this all night
Turn this club skin tight
Baby come on!
Agora, meus desejos para este ano? Sinceramente, eu só espero que ele venha com menos preocupação e com mais samba. Quero saúde também, como todo mundo, pra poder curtir tudo o que tiver por aí e ter meus porres de vez em quando sem preocupação. Eu quero paz, eu quero amor, eu quero cor, eu quero sorte, eu quero brilho, eu quero riso. Eu quero tudo de bom que essa vida tem pra dar. E mais um pouco, se não for pedir muito. Um ótimo ano pra todos vocês.
Pull me like a bass drum
Sparkin' up a rhythm
Baby, come on!


*toda a parte em inglês foi retirada de Domino
nova música de trabalho da cantora Jessie J.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Desconfie de toda fofoca que os parentes contam

- O que é que te contaram?
- ...
- Pode falar, primão. Eu sei o que eu fiz. Eu quero é saber o que eles tão falando. Não precisa nem falar quem foi que contou.
- ...então. Resumindo, o que me contaram é que você desapareceu por uns dias, ou umas semanas, não sei. Aí todo mundo ficou doido atrás de você e foram te encontrar num lugar bizarro junto com uns sem-teto fumando crack.
Ele riu. Uma risada gostosa, com uma pitada de eunãoacreditonoqueeuestououvindo.
- Eu fico puto com isso! Família fofoqueira do caralho! Fala coisa que não tem necessidade nenhuma de falar e não conta a merda da história direito. Quer saber? Vou te contar o que aconteceu. Eu sumi por quatro dias e eles me encontraram na casa de um amigo meu cheirado de cocaína. Eu nunca usei crack. Mas agora eu vou contar a porra toda também.
E se ele tinha mais coisa pra contar, eu estava pronto e disposto a ouvir. Eu sempre estou disposto a ouvir.
- Eu não tava usando crack não. Eu tava traficando. É isso mesmo, seu primo é traficante, Rudah. E cafetão também. Já enfiei mais de oito puta de uma vez só dentro dessa merda desse carro. Puta de Nova Iorque, da Argentina, do Sul, do Rio, de São Paulo e do caralho-a-quatro. Só que aí, tu conhece seu primo. Perdi o controle. E não foi porque eu fui morar em outra cidade não. Eu cheiro, fumo, bebo e fodo desde os treze anos. Tu sabe disso. Tu me acompanhou numas quebrada dessas aí. Tá rindo de quê?

- Nada não, é que, eu tava com pena de você, seu filho da puta, agora a única coisa que eu consigo pensar é: filho da puta, filho da puta, filho da puta.

Ele riu de novo. Tragou o cigarro uma última vez e jogou a bituca pela janela. Terminei o meu e joguei pela janela também. Ele trocou música no rádio, passou a marcha, acelerou e então começou a tocar We found love.
- Eu falei pra minha mãe que se ela quisesse compartilhar a merda da história com os merda dos parente escroto dessa família, ela tinha que contar a porra toda, mas tu acha que ela vai contar que o filhinho dela tava sendo procurado por polícia e por bandido nos lado de lá? Tu acha que ela vai contar que o filhinho mimadinho dela virou traficante e cafetão? Nunca! Só que aí, os merda dos parente escroto chega pra mim cheio de peninha, cheio de nhem-nhem-nhem, perguntando como é que tô, se eu tô bem, se eu tô aprontando muito, mandando eu ter juízo. Se ela contasse a merda da verdade, eles iam parar de ter pena pra ter medo.
- Eu não tenho medo de você. Nunca teria. Nem se você apontasse uma arma na minha cara eu ia ter medo de você. Na verdade eu te entendo. Mais do que você imagina. Olha pra mim. Eu tô rindo. Sabe por quê? Porque essa história sim tem tudo a ver com o moleque que eu cresci. Isso sim é a sua cara, sinceramente.
- Boa, garoto!
- Tô falando sério. A verdade é muito mais interessante do que essas histórias que estão contando sobre você.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Sobre agressão gratuita, estar com os amigos e um feliz natal atrasado

Já faz quase vinte dias desde a minha última postagem e eu acho que nunca me aconteceram tantas coisas nas férias. Primeiro, comecemos pelo ruim. Dia 16 três amigos meus foram agredidos na lapa. Um caso sério e claro de homofobia, sabem. No dia eu fiquei realmente puto com a história. Juro que tive vontade de juntar um grupo viados pra sair agredindo hétero pelas ruas só pra ver o que é que ia acontecer. Escrever sobre isso, agora, já me irrita de novo. A agressão em si, pelo o que eu entendi, não foi muito séria. Só um dos meninos é que ficou com uma escoriações e inchações no rosto por uns dias, mas já está bem. O pior mesmo é a sensação de que foram agredidos e xingados simplesmente por existirem. Enfim, já passou e eu sinceramente não estou com cabeça para escrever sobre isso. Até porque, muitas e muitas coisas boas me aconteceram depois também.

Para começar, fui numa festa dia 17. Fui com dois amigos da faculdade, mas conheci uns amigos deles e a companhia sem dúvida foi o melhor da noite. Uma galera bonita, alto-astral, cabeça aberta. No dia seguinte, acordei e descobri que eu tinha perdido quinze reais. Quase não voltei pra casa. Se bem que não ia ser ruim passar mais uma tarde com aquela galera, curtindo uma piscina, jogando conversa fora e tomando umas geladas. Mas no fim eles me emprestaram uma grana, eu interei minha passagem e voltei. E então já estávamos na semana do natal.

E foi uma semana cheia de amigos também. Aproveitei para rever os esquecidos e trocar alguns presentes com os mais próximos. Conversei e ri muito. Como não conversava e ria há muito tempo. Vou aproveitar essa semana para ver os que faltam. Espero que dê tempo de ver todo mundo antes do ano acabar. É importante para mim, poder estar com meus amigos, lembrar das histórias. É como se eu separasse um momento no final do ano e dedicasse às pessoas que colaboraram para que eu fosse quem eu sou hoje.

Por falar em hoje, é natal, né. Na verdade já passou de meia noite, mas no Canadá ainda é dia 25 e devemos sempre nos lembrar que a blogosfera é um espaço virtual no qual o tempo não funciona como no mundo real (o que foi isso que eu disse?). Enfim, eu só não posso deixar passar (por mais que já tenha passado). Espero que o de vocês tenha sido bom; o meu foi. Gosto de passar esse momento com a família, aproveitar a harmonia e a generosidade desse período atípico. Então, Feliz Natal. E boa noite. Estou com sono e não agüento nem mais um minuto aqui. De qualquer forma, volto essa semana ainda. Tenho mais coisas pra compartilhar.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um desabafo sobre a paixão nacional


Domingo passado, com todo aquele alvoroço sobre futebol depois do fim do brasileirão, duas ou três vezes apareceram no meu feed de notícias do facebook imagens de homens se beijando nas arquibancadas dos estádios, seguidas, como sempre, de piadinhas e comentários preconceituosos. Alguns até de homossexuais que não sabem o que falar e acabam falando abobrinhas.
"(...) homens se beijando nas
arquibancadas dos estádios"
E eu estava pensando sobre isso. Quero dizer, quando eu digo que quero ir pra casa assistir ao jogo ou que vou bater uma pelada com a galera no domingo, meus amigos olham para mim, espantados, e perguntam : "desde quando você gosta de futebol?". Desde que eu nasci, eu acho. Faz parte de ser brasileiro, não é o que dizem? Mas não. Para os homossexuais não. Homossexual não tem direito de gostar de futebol. Suja o nome do time. Se quiserem gostar de algum esporte, que seja de vôlei. Futebol é coisa de homem.
Só que aí eu lembrei que a maior parte dos gays que eu conheço realmente não gostam. E houve um período em que eu também não gostava. Até porque, era eu fazer uma besteira qualquer jogando bola quando criança que vinha um coleguinha me dar uma rasteira, apontar o dedo na minha cara e me chamar de "viadinho de merda". Era mais fácil mesmo não gostar de futebol e jogar queimado com as meninas na outra quadra. Evitava o desgaste.
Então eu penso: "Porra de sistema escroto do caralho! Não deixa nem mesmo que eu compartilhe da paixão que ele diz ser de todo brasileiro". Desculpem o palavreado, mas aqui não, josé! Meu coração, além de ter uma imensa faixa rubro-negra envolta, tem também um arco-íris do tipo mais colorido que já vi. Sou brasileiro, gay e imensuravelmente apaixonado pelo Clube de Regatas do Flamengo. E se isso incomodar alguém, sinto muito, mas não vou fazer nada pra mudar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Férias, SUA LINDA,

você não tem ideia de quanto tempo eu esperei por você. Por alguns momentos durantes essa semana eu pensei que a faculdade fosse me matar. Eu li centenas de artigos acadêmicos, um livro complicadíssimo do qual até agora não sei o que eu entendi, escrevi mais de 30 páginas de relatório e fiz duas provas. As provas, óbvio, configuram a parte mais simples disso tudo. Nem estudei para elas. Até porque, os trabalhos só me deixaram dormir doze horas essa semana. Ainda assim, meio zumbi, meio drogado, fui a uma festa e fiquei com o meu sonho de consumo.
O cara tem 24 anos, mas parece ser mais velho. Pela aparência, eu diria que ele tem 28 ou 30. Além do que, ele faz mestrado. Um sorriso lindo, um corpo gostosíssimo, um... bem, melhor não falarmos disso por enquanto. O rosto do cara parece o de um boneco de tão bem desenhado. E, macho, do tipo que dá tapa e tudo mais, exatamente do jeito que eu gosto.  Acho até que vou me apaixonar. Não transamos. Tô evitado fazer essas coisas no “primeiro encontro”.
Por falar em transa, foi dia mundial da luta contra a aids antes de ontem. O que sempre me lembra que eu preciso começar a me cuidar mais. Transei se camisinha vezes demais esse ano. E algumas vezes eu tinha, mas, no calor do momento, fiz sem. Sexo sem camisinha é perigoso, eu sei, mas, na hora, parece que eu simplesmente não penso em nada. Tenho mudado, mas ainda não o suficiente. Preciso me controlar mais.
Isso tudo me lembrou que eu tava pensando em escrever alguma coisa quente pra postar aqui. Sempre tive vontade de compartilhar minhas experiências sexuais. Só que aí eu tenho que colocar aquele aviso de “conteúdo adequado somente para adultos”. Tanto faz. De qualquer forma, acho que pode ser interessante. Vou começar a escrever agora. Talvez eu até poste essa semana ainda. Estou de férias mesmo.

sábado, 19 de novembro de 2011

O prazer vem depois

"(...)depois a gente conversa sobre 
essa história de amadurecer."
Vulnerável. Entusiasmado. Inconstante. Perdido. Meio bobo. Meio, assim, adolescente. Meio fogo. Sempre apaixonado. A-pai-xo-na-do. Por uma pessoa diferente a cada semana, mas quem se importa? Não eu. Na verdade prefiro assim. Sem compromisso. Só um passatempo de fim de semana. Segunda eu encontro outro. E depois outro. E mais outro. E vou sempre mudando. Às vezes a gente se apega. Acontece. Faz parte do jogo. E, bem, é o único risco que se corre. Se apega hoje, desapega amanhã, toma um porre no dia seguinte e pronto. Qual era o nome dele mesmo? Não lembro. Ou até lembro, mas agora não é nada além de um nome na minha lista telefônica.
Comecei isso aqui inspirado em alguns blogs que sigo por aí. Do Gabrbriel Spok (+18), do Ro Fers. Cheguei à conclusão de que estou precisando desabafar um pouco. Tem muito sentimento sufocado aqui dentro. Muita história pra contar. Por enquanto sou apenas um pseudônimo. Depois, não sei. Quero compartilhar sacanagem, bobagem, besteira. Quero compartilhar qualquer coisa, coisa nenhuma, tudo. Quem sabe até deixar a imaginação correr um pouco... Acho que pode ser uma boa ideia.
Acabei de completar dezenove anos e ouço tanto coisas como “você é novinho” que decidi encarnar essa vibe adolescente. Sou meio adolescentizinho mesmo e não tenho problema nenhum com isso. Faço faculdade, bebo, transo, fumo, mas ainda não me sinto responsável o suficiente para me dizer adulto; falta um pouco para eu amadurecer ainda. Mas depois a gente conversa sobre essa história de amadurecer.
Eu não sou Rudah Pelegrini, mas é assim que me apresentarei por aqui. De qualquer forma, satisfação. O prazer vem depois. ;9